"O avô velhinho foi para o céu"
Foi assim que contei à Rita e ao Pipo, que o meu avô faleceu.
Um ano e três meses depois da minha avó.
Quando vivemos mais de sessenta anos com outra pessoa e ela parte, ficamos perdidos, desorientados, sem casa ou porto seguro.
Mais que as doença ou a idade penso que foi isso que levou o meu avô, apesar de todos os esforços dos filhos, netos e bisnetos para o animar e fazer voltar a acreditar num futuro. Faltava-lhe a minha avó.
O principal dever dos avós e mimar os netos, deixá-los fazer e comer tudo o que os pais não deixam e ter sempre tempo e paciência para brincar connosco. Os meus avós cumpriram essa missão a 100% com menção honrosa, tanto comigo como com os meus primos.
Deixavam-nos regar as laranjeiras, dar de comer ás galinhas, andar na caixa da carrinha, fazer os furos da Regina que quissessemos (e nós queriamos sempre muitos!!), comprar todas as rifas na feira de Setembro.
O meu avô passava que tempos comigo a fazer desenhos de animais. A minha avó fazia-nos umas gemadas divinais. Colocava um saquinho pequenino de água quente nas mãos do meu primo António na sesta pois ele tinha sempre as mãos frias.
O meu avó transformou o tanque de rega numa pequena piscina para nós tomarmos banho no Verão e fez-nos um baloiço na figueira do quintal.
Podia ficar nisto dias pois as boas recordações são tantas.
Quando fecho os olhos e me lembro deles, sinto imediatamente carinho e amor.
Por isso não me consigo despedir, pois eles estão sempre comigo, cá dentro.
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